Pode jogar na manchete desse jornal que você fez da vida de nós dois: não estou apaixonada seu idiota, eu só quero gozar. E embora você seja um babaca e moleque, é o único que sabe me fazer gozar como ninguém. É o único que sabe ler meus sinais, desvendar meu corpo e me embalar em um tesão absurdo que quase me cega pelas madrugadas afora. Apesar de todos os teus defeitos, o teu orgulho irritante e seu charme nórdico exacerbado, você sabe bem como transar. Sabe exatamente o que fazer, quando e como. Só você me leva ao limite da sanidade e sempre exige mais. Sempre me inspira a dar mais. Até quando eu estou cansada eu preciso de mais, e lá vamos nós de novo rolar pelos os lençóis.

Nem mesmo a distância ou outras amenidades diminui nossa vontade. Nem mesmo o estresse diário causado pela rotina do dia-a-dia me tira a vontade de ir te encontrar e ouvir sobre bobagens, enquanto tiro sua camisa e me perco por entre os botões. A educação primária dá lugar a uma selvageria familiar e intensa. Nós nunca nos desculpamos por sermos sedentos, secos e diretos. Não existe conversa atravessada entre nós, então tira esse sorriso do rosto de quem acha que eu estou me apaixonando pelo o seu conjunto charme-barba-e-lábia. Eu não estou apaixonada, amor, eu só quero gozar. E gozar bem gostoso. Gozar agarrada ao travesseiro, ou arranhando seus braços. Eu quero tremer tanto a ponto de não lembrar meu nome. Amor, eu quero gozar do modo que você sempre me faz gozar. Então deixa de bobeira, e não repita essas asneiras. Não estou apaixonada, meu interesse é apenas gozar.

Não, não dá esse sorriso enquanto dá de ombros, fingindo que você acredita em mim. Nós não confiamos um no outro, nós apenas sabemos transar. Por algum motivo ainda não detectado, nós nos damos bem fora e dentro da cama, e gostamos muito da segunda opção. Gastamos horas, inúmeras latinhas de cerveja e vontade absurdas tentando desvendar até onde somos capazes de ir. E se te inspira tanto dizer que estou apaixonada, digo que estou apaixonada apenas pela vontade louca de transar, não por você. Nunca por você, querido. Apesar de gostar de ouvir sobre sua vida e suas batalhas, eu não estou interessada. Desculpa se fiz parecer que eu gostava de você, querido. A verdade é que eu só quero gozar.