Em uma cama, dois corpos. Não há hora e nem lugar, apenas a fome com a vontade – surreal – de comer. Seu compromisso como homem esta noite é no mínimo me despir as roupas e me fazer sussurrar insanidades a um timbre que só você escute. Me faça perder a noção de tempo e espaço, por favor. Estou cansada de manter os pés no chão e carregar o fardo de ter que ser quem sou. Não que seja obrigação, mas duvido que alguém vai querer retroceder depois de passarmos pela porta, tateando as paredes no escuro do teu apartamento, e se engolindo a cada passo além.

E não se esquece de falar baixinho, porque ninguém pode saber que a gente está aqui. Ninguém pode saber que você consegue me deixar assim. Minhas pernas trançadas na sua cintura, minhas costas batendo nas paredes, cabelo colado no rosto, suor formando os caminhos, enquanto você decide o que hoje faz parte do seu protocolo ou não. Sem mapas, sem planos, só curvas. Hoje, eu posso tudo. Hoje, você pode tudo.

Vai me dizer tudo o que você quer fazer e vou te fazer responder “sim” para tudo que eu quiser fazer. Tudo sem ser premeditado, milimetricamente levado pelo o extinto, nem um pouco pensado. Um beijo roubado, devagar, movimentos inconscientes, mão atrás da nuca, barba roçando no meu rosto, mordidinha e um “gostosa” bem falado perto do ouvido, do modo que faz até encolher a cabeça. Mordidas por entre o seu pescoço, a língua querendo se divertir, enquanto os corpos conversam entre sí. A resposta é clara, sigam em frente. Parar para que? Daqui você não sai, até arrisco em dizer que daqui você não vai querer sair, porque eu, não vou. Não saio e nem quero. Não enquanto não acabar. Porque na cama, dois corpos, mais nada importa.